Chegou um boleto em nome do INPI cobrando uma taxa para “não perder a marca”? Antes de pagar, desconfie. O boleto falso INPI é um dos golpes mais comuns contra quem acabou de pedir o registro de marca, porque os dados do processo são públicos e qualquer pessoa consegue montar uma cobrança que parece oficial. Neste guia você vê como o pagamento ao INPI funciona de verdade, os sinais que denunciam a fraude e o que fazer se já pagou.
Índice
- Por que o boleto falso INPI chega até você
- Como o INPI cobra de verdade
- 7 sinais de boleto falso INPI
- Como conferir se uma cobrança é verdadeira
- Paguei um boleto falso INPI: o que fazer
- Boleto falso INPI e golpe do registro: qual a diferença
- Perguntas frequentes
Por que o boleto falso INPI chega até você
Todo pedido de marca é publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI), que sai toda terça-feira. Ali aparecem o nome da marca, o número do processo, o titular e a classe. Os golpistas leem a revista, cruzam os dados com o cadastro do CNPJ e disparam e-mails, cartas e mensagens de WhatsApp com uma cobrança pronta.
Por isso o boleto falso INPI costuma acertar o seu nome, o nome da sua marca e até o número real do processo. Esses dados não provam nada: são informações que qualquer pessoa consulta de graça. O que prova a origem de uma cobrança é o caminho por onde ela chegou e quem vai receber o dinheiro.
Como o INPI cobra de verdade
O INPI não envia boleto. Todo pagamento ao instituto é feito por GRU, a Guia de Recolhimento da União, que é emitida pelo próprio titular (ou por quem cuida do processo) no portal oficial de emissão de GRU do INPI. É você quem vai até a guia, nunca o contrário. O passo a passo completo está no nosso guia sobre a GRU do INPI.
Desde setembro de 2025 o pedido de registro de marca tem pagamento único, feito no depósito: a partir de R$ 440 por classe para quem tem direito ao desconto (pessoa física, MEI, ME, EPP e outras categorias) e R$ 880 por classe para quem não tem. Cada classe do INPI é um pedido e uma guia. Não existe mais a segunda taxa no fim do processo, nem “taxa de certificado”, nem mensalidade ou anuidade de marca. O detalhamento por cenário fica em quanto custa registrar uma marca.
Depois do depósito, novas guias só aparecem quando você mesmo decide fazer um ato no processo, como responder a uma exigência, apresentar oposição, recorrer ou prorrogar o registro depois de 10 anos. E tudo o que pede uma ação sua é publicado na RPI, com um código de despacho explicado em despachos do INPI.
7 sinais de boleto falso INPI
Compare a cobrança que você recebeu com esta lista. Basta um dos sinais para tratar o documento como golpe até prova em contrário.
- Chegou sem você pedir. E-mail, carta, WhatsApp ou ligação com boleto anexado. A GRU verdadeira nasce no portal do INPI, quando você a emite.
- O beneficiário não é o INPI. Abra o boleto e leia o campo do beneficiário (ou o nome que aparece no app do banco antes de confirmar). Associação, instituto, cadastro nacional, empresa de consultoria: qualquer nome que não seja o próprio instituto federal é cobrança de terceiro.
- O remetente não é @inpi.gov.br. Domínios parecidos, com “inpi” no meio de outras palavras ou terminados em .com, .org e .net, são o padrão da fraude.
- A cobrança tem nome inventado. “Taxa de manutenção anual”, “anuidade da marca”, “taxa de publicação”, “taxa de certificado”, “registro em cadastro nacional de marcas”. Nenhuma delas existe no registro de marca.
- Há prazo curto e ameaça. “Pague em 48 horas ou o processo será arquivado”, “outra empresa pediu a mesma marca”. O objetivo é impedir que você confira.
- O valor não bate com a tabela. Cobranças de R$ 1.500, R$ 2.000 ou mais por um ato que custa uma fração disso, ou cobrança de algo que você já pagou.
- Não existe publicação correspondente na RPI. Se a “pendência” não aparece no andamento do processo, ela não existe.
Como conferir se uma cobrança é verdadeira
Leva poucos minutos e não depende de ninguém:
- Anote o número do processo que aparece na cobrança.
- Consulte o andamento na base do INPI ou no seu acompanhamento do pedido. Veja o passo a passo em como acompanhar o processo no INPI.
- Confira o último despacho publicado. Se não houver exigência, oposição ou outro ato pendente, não existe nada a pagar.
- Se existir um ato que pede guia, emita a GRU você mesmo no portal oficial. Nunca use o boleto recebido.
- Na dúvida, mande a cobrança para quem cuida do seu processo antes de responder ao remetente.
Quem ainda não pediu o registro também recebe esse tipo de abordagem, em geral logo depois de abrir o CNPJ. Antes de pagar qualquer taxa, o passo certo é saber se o nome está livre, e isso você faz com a verificação de marca gratuita.
Paguei um boleto falso INPI: o que fazer
Agir rápido aumenta a chance de recuperar o dinheiro. A ordem que funciona:
- Fale com o seu banco no mesmo dia. Informe que pagou um boleto fraudulento e peça a contestação. Se o pagamento foi por Pix, peça a abertura do MED, o Mecanismo Especial de Devolução do Banco Central, que existe justamente para casos de fraude.
- Registre boletim de ocorrência. A maioria dos estados aceita registro pela delegacia virtual. Guarde o e-mail, o boleto e o comprovante.
- Avise o INPI. O instituto recebe relatos de cobrança indevida pelos canais de atendimento e ouvidoria, e esses relatos ajudam a alertar outros titulares.
- Confira o processo. O pagamento ao golpista não afeta o seu pedido, mas vale confirmar que não há nenhuma pendência real esquecida no meio do susto.
Uma observação que evita pânico: receber um boleto falso INPI não significa que alguém tentou ficar com a sua marca. Se essa for a sua preocupação real, veja o que fazer quando registraram a sua marca antes de você.
Boleto falso INPI e golpe do registro: qual a diferença
O boleto é a peça final de vários golpes diferentes. Em alguns, a abordagem é um telefonema dizendo que um concorrente vai registrar a sua marca. Em outros, é um suposto aviso de arquivamento do processo. Os roteiros mais comuns estão descritos no nosso artigo sobre o golpe do registro de marcas. Este guia foca no documento em si, porque é ali, no momento do pagamento, que dá para barrar a fraude.
Na Legis, com mais de 400 marcas protegidas, conferir cobranças suspeitas faz parte do acompanhamento de cada processo. Informações oficiais sobre os serviços e valores ficam na página de marcas do INPI.
Perguntas frequentes
O INPI manda boleto por e-mail ou pelos Correios?
Não. O INPI não envia boleto, não liga e não cobra por WhatsApp. Todo pagamento é feito por GRU emitida pelo próprio titular, ou por quem representa o processo, no portal oficial do instituto.
Existe taxa anual para manter a marca registrada?
Não. O registro de marca vale 10 anos a partir da concessão e é prorrogável por períodos iguais, com uma guia de prorrogação a cada 10 anos. Qualquer boleto falso INPI que fale em “manutenção anual” ou “anuidade de marca” é cobrança indevida.
Se eu não pagar o boleto, posso perder a marca?
Não. Um boleto enviado por terceiro não tem nenhuma relação com o seu processo. O pedido só é afetado por atos publicados na RPI, como uma exigência sem resposta no prazo. Por isso acompanhar os despachos é a melhor proteção contra o susto.
Garanta que a sua marca seja realmente sua.
No INPI, a prioridade é de quem deposita primeiro. Faça uma verificação gratuita e descubra se o seu nome ainda está disponível.